Formicivora

Pelo padrão geral do colorido da plumagem, as aves desse gênero recordam certos pássaros dos gêneros Drymophila e Myrmotherula ou ainda certas espécies do gênero Herpsilochmus. Apresentam hábitos similares às espécies desses gêneros tanto no comportamento geral como nos hábitos reprodutivos e na construção do ninho. Acompanham bandos mistos agrupados em casais, mas raramente seguem correições de formigas. O gênero Formicivora possui oito espécies, sendo que:

Formicivora erythronotos - formigueiro-de-cabeça-negra

Ameaçado - vulnerável.

Tamanho populacional do formigueiro-de-cabeça-negra está reduzido ou em declínio com probabilidade de extinção na natureza em pelo menos 50 por cento em 10 anos ou 3 gerações - Destruição do Hábitat;

Mede 11 cm de comprimento. O macho apresenta plumagem inconfundível, mas a fêmea recorda, pelo seu dorso ruivo, a fêmea de Terenura maculata, em bora ambas ocorram em biótopos muito distintos. Pela cauda comprida e a vocalização imediatamente reconhecível como uma Formicívora. Espécie vistosa pelas costas castanhas, cabeça e peito negros, na fêmea marrom-olivácea; flancos brancos. Voz: apelo forte “kiák, kiák; canto “tjük, tjük…”

Habita a Mata Atlântica. Espécie rara e endêmica de matas e restingas da baixada litorânea. Prefere matas secundárias em regeneração, que estão em contato com a restinga arbórea e áreas de mangue branco. Aparentemente evita adentrar florestas densas ou matas primárias. Suas exigências ecológicas não se encontram suficientemente estudadas.

Ocorre no estado do Rio de Janeiro

Formicivora grantsaui - papa-formiga-do-sincorá

O papa-formiga-do-sincorá ocorre no estado da Bahia

Formicivora grisea - papa-formiga-pardo

O papa-formiga-pardo mede cerca de 12,5 cm de comprimento. A plumagem dos dois sexos difere quanto à cor da parte inferior: preta no macho e bege-amarronzada na fêmea.

É comum em capoeiras novas com densos emaranhados de cipós e arbustos, campos sujos e bordas de florestas. Vive aos pares. Às vezes torna-se difícil observá-lo, por encontrar-se em meio à vegetação densa.

Presente em duas regiões separadas:

Formicivora iheringi - formigueiro-do-nordeste

Curiosamente, formigueiro-do-nordeste possui notável semelhança morfológica com outro não ameaçado, a choquinha-de-flanco-branco (Myrmotherula axillaris), o qual se distingue a primeira vista por apresentar uma cauda mais comprida. Seu canto é bem característico e lembra o do gravatazeiro (Rhopornis ardesiaca), que pode ocorrer nas mesmas matas sendo, porém, emitido mais fracamente (Sick 1985).

Vive em matas secas, onde pode participar de bandos mistos.

Ocorre no interior da Bahia e Noroeste de Minas. Em MG, sua presença foi verificada apenas para o vale do rio Jequetinhonha, nos municípios de Divisópolis e Almenara.

Formicivora littoralis - formigueiro-do-litoral

O formigueiro-do-litoral é considerado a única espécie de ave endêmica de restinga em todo o litoral do Brasil (Gonzaga & Pacheco, 1990), estando ameaçada nos níveis global (IUCN, 2004) nacional (Machado et al. 2005) e regional (Alves et al., 2000).

A ocorrência de F. littoralis restringiu-se às áreas de restinga e formações litorâneas próximas, incluindo um novo registro em Búzios. Foi constatada a ausência da espécie nos diferentes remanescentes de Mata Atlântica investigados no interior do continente.

Sua distribuição é restrita à Região dos Lagos (RJ), com ocorrência registrada para os municípios de Saquarema, Araruama, Arraial do Cabo (restinga de Massambaba), São Pedro D’Aldeia, Cabo Frio (Gonzaga & Pacheco, 1990) e mais recentemente para Iguaba Grande (Vecchi & Alves, no prelo).

Formicivora melanogaster - formigueiro-de-barriga-preta

Para o formigueiro-de-barriga-preta, o macho é marrom escuro no dorso e tem uma ampla mancha branca no supercílio. As asas pretas apresentam uma faixa branca e os flancos são cinza claro, embora estejam muitas vezes escondidos sob as asas. A fêmea é bastante diferente do macho.

Vive na caatinga, no cerradão e nas matas ciliares. Este papa-formigas é uma ave discreta, de hábitos furtivos, sempre escondida na brenha. Seu nome popular deve-se ao hábito que diversas espécies de sua família têm de esfregar formigas na pele para sentir a sensação produzida pelo ácido fórmico expelido por aqueles insetos.

Ocorre da região Nordeste até Goiás, Oeste de São Paulo, Mato Grosso e também na Bolívia.

Formicivora rufa - papa-formiga-vermelho

O papa-formiga-vermelho apresenta silhueta longilínea pode ser percebida a qualquer momento, ressaltada pelo comprimento da cauda. A fêmea e as aves juvenis possuem a parte ventral muito riscada de negro, em contraste com o branco acinzentado dessa região. No macho, essa área é toda negra. Sobrancelha larga e branca, estendendo-se pelo lado do pescoço. Dorso marrom avermelhado, mais acinzentado na cabeça. O pintalgado branco das asas e a ponta branca da cauda ajudam na identificação dessa ave. Tem cerca de 13 centímetros, cauda comprida e plumagem fofa.

Vive em arbustos não fechados, cerradão e na caatinga. Seu nervosismo pode ser percebido pela movimentação da cauda e do píleo. Não entra nas áreas de vegetação mais alta, ficando em suas bordas. Está sempre em casais ou em pequenos grupos, provavelmente pais e filhotes da estação anterior. Seus vôos entre arbustos são rápidos e diretos, mergulhando na folhagem logo que pousam.

Pode ser encontrado em regiões campestres extra-amazônicas, do Nordeste e Brasil central até o Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, Paraguai, Bolívia e Suriname.

Formicivora serrana - formigueiro-da-serra

O formigueiro-da-serra vive em vegetação de aspecto arbustivo, herbáceo e às vezes arbóreo (capoeira, borda de mata), mas não o interior da mata fechada. Sempre em altitudes maiores. Pode ser encontrada em área degradada (como em cafezais adjacentes a macegas), este tipo de ambiente é vulnerável na medida em que é constantemente utilizado para fins econômicos.

Conforme recentemente ressaltado em del Hoyo et al. (2003) esta espécie não é considerada globalmente ameaçada de extinção e é comum em seu habitat, mas possui uma distribuição restrita na Mata Atlântica do sudeste do Brasil

Referências